

Enquanto Apple acelera a construção do seu QG na Califórnia, Google exibe como é sua nova sede em Londres. Ambas iniciativas identificam o local de trabalho como um clube em formato de nave espacial, cheios de espaços onde se pode relaxar. O que quer dizer isso?
O que fica claro nos dois casos é a intenção das empresas, as mais identificadas como a vanguarda da Economia do Conhecimento, de criar um novo meio ambiente para atrair e reter os talentos considerados como a elite da Knowledge Society.
Tanto a direção da Apple quanto do Google estão consciente que chegou o momento de investir não apenas na inovação de seus produtos, mas também inovar o meio ambiente onde suas pessoas se encontram para produzir riquezas. É, sem dúvida, uma tentativa de demarcar uma ruptura com a imagem que as pessoas cultivam acerca do local de trabalho nos últimos duzentos e cinqüenta anos, desde o começo da Revolução Industrial e que é sintetizada em três ícones: a mina, a fábrica e o escritório.
Nesse curto espaço de tempo em que o local de trabalho deixou de ser a própria casa ou a fazenda, a mina tornou-se o símbolo por excelência da escravização do ser humano, condenado passar a maior parte de sua existência embaixo da terra. A fábrica, a despeito de sua modernidade técnica, como mostrou Charlie Chaplin em Tempos Modernos acabou estigmatizada como o locus da desumanização do indivíduo. O escritório, por sua vez, apesar dos confortos materiais que representam uma evolução gigantesca em relação à fábrica e à mina, acaba hoje visto de maneira caricata: é o lugar onde vamos para cumprir metas e não exatamente para pensar e criar, verdadeiros objetivos do trabalho na Economia do Conhecimento.
Todas as empresas deverão seguir a tendência apontada por Apple e Google. Se quiserem de fato atrair e reter talentos. Porém maiores desafios se colocam com urgência como uma agenda de inovação que não é apenas das empresas. Temos de reinventar nossas cidades e nossos estilos de vida. Estarão aí grandes inovações que precisamos ousar fazer acontecer. Sem isso as empresas serão como castelos e mosteiros medievais: inorgânicos e desconectados da vida real da imensa maioria das pessoas. Google e Apple apontam parte da solução. A parte mais difícil está em nossas mãos.
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